

Larissa Simões
Coordenadora do Projeto Interdisciplinar do Núcleo de Autismo
O desenvolvimento infantil é marcado por descobertas constantes. As primeiras palavras, os gestos, o contato visual, as brincadeiras e as interações sociais costumam representar momentos muito importantes para as famílias.
Por isso, quando os pais percebem mudanças inesperadas no comportamento ou nas habilidades da criança, é natural que surjam muitos questionamentos.
Em alguns casos, crianças que já falavam determinadas palavras podem deixar de se comunicar como antes. Outras passam a demonstrar menos interesse por interações, evitam contato visual, apresentam mudanças nas brincadeiras ou deixam de realizar comportamentos que já faziam parte da rotina.
Essas alterações podem acontecer de forma gradual ou mais perceptível e merecem atenção ao longo do desenvolvimento infantil. Observar os sinais precocemente e buscar acompanhamento especializado é fundamental para compreender as necessidades da criança e favorecer seu desenvolvimento.
O autismo regressivo é uma condição que envolve justamente perda ou redução de habilidades previamente observadas de e já adquiridas, principalmente relacionadas à comunicação, linguagem e interação social.
Entender os sinais, as características e a importância da intervenção precoce é fundamental para as famílias se sentirem mais preparadas para lidar com esse processo.

O que é autismo regressivo?
O autismo regressivo acontece quando a criança apresenta uma perda de habilidades previamente desenvolvidas, especialmente relacionadas à linguagem, interação social, comunicação e comportamento.
Em muitos casos, os pais relatam que o desenvolvimento parecia acontecer de forma esperada nos primeiros meses ou anos de vida. Depois disso, começam a perceber mudanças importantes, como:
Diminuição da fala
Perda de palavras já aprendidas
Redução do contato visual
Menor interesse por brincadeiras
Dificuldade de interação social
Comportamentos repetitivos mais frequentes
Essa regressão costuma acontecer entre 15 e 30 meses de idade, embora cada criança tenha seu próprio ritmo de desenvolvimento.
É importante destacar que o autismo regressivo não é um diagnóstico separado. Ele faz parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA), sendo uma forma de apresentação observada em algumas crianças.
Quais são os sinais de autismo regressivo?
Os sinais de autismo regressivo podem surgir de forma gradual ou mais perceptível. Muitas vezes, os pais sentem que “algo mudou” no comportamento da criança.
Alguns dos principais sinais incluem
Perda da fala ou da comunicação
A criança pode deixar de falar palavras que já utilizava ou reduzir bastante a tentativa de comunicação.
Em alguns casos, ela para de responder quando é chamada pelo nome ou deixa de apontar para mostrar interesses.
Mudanças na interação social
Outro sinal frequente é o afastamento social. A criança pode demonstrar menos interesse em brincar com outras pessoas, evitar contato visual ou parecer mais isolada.
Alterações no brincar
Brincadeiras simbólicas, como fingir que está cozinhando ou cuidando de bonecos, podem diminuir. Também é comum surgir aumento de comportamentos repetitivos e interesses restritos.
Sensibilidade sensorial
Algumas crianças passam a apresentar maior sensibilidade a sons, texturas, luzes ou determinados ambientes.
Mudanças comportamentais
Irritabilidade, crises frequentes, dificuldade com mudanças na rotina e comportamentos repetitivos também podem aparecer.
O que causa o autismo regressivo?
Ainda não existe uma causa única definida para a regressão de habilidades associada ao TEA. Atualmente, o autismo é compreendido como uma condição do neurodesenvolvimento com influência multifatorial, envolvendo principalmente fatores genéticos e biológicos.
Estudos apontam forte influência de fatores genéticos na manifestação do TEA. Além disso, diferenças no neurodesenvolvimento podem impactar habilidades relacionadas à comunicação, aprendizagem, interação social e processamento das informações do ambiente.
Quando os pais percebem uma regressão no desenvolvimento, o indicado é procurar uma avaliação profissional para investigar os sinais apresentados pela criança.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do autismo regressivo é clínico e deve ser realizado por profissionais especializados no desenvolvimento infantil.
Normalmente, a avaliação envolve
Observação do comportamento da criança
Conversa detalhada com os pais
Análise do desenvolvimento infantil
Identificação de sinais relacionados ao TEA
Avaliação da comunicação, interação social e comportamento
Quanto mais cedo os sinais forem identificados, maiores são as possibilidades de intervenção e desenvolvimento.
Por isso, é importante que os pais não ignorem mudanças importantes nas habilidades da criança.
O autismo regressivo tem tratamento?
O autismo não tem cura, mas o acompanhamento adequado contribui significativamente no desenvolvimento da criança e na qualidade de vida da família.
O tratamento do autismo envolve uma abordagem interdisciplinar, respeitando as necessidades individuais de cada criança.
Entre os acompanhamentos mais indicados estão
Terapia comportamental
Acompanhamento psicológico
Suporte pedagógico
Orientação familiar
A intervenção precoce possui papel fundamental nos casos de regressão de habilidades associadas ao TEA, especialmente por acontecer em uma fase do desenvolvimento marcada por maior neuroplasticidade cerebral.
Quando os sinais são identificados precocemente e a criança recebe acompanhamento especializado, torna-se possível estimular habilidades relacionadas à comunicação, interação social, aprendizagem, autonomia e regulação comportamental de forma mais direcionada e funcional.
Além disso, intervenções baseadas em evidências contribuem para ampliar repertórios, favorecer novas aquisições e oferecer suporte à família na compreensão das necessidades da criança, promovendo melhores oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida ao longo do processo.
Como os pais podem ajudar a criança?
Receber a suspeita ou o diagnóstico de autismo pode gerar muitas emoções. É natural que os pais sintam preocupação, medo e dúvidas sobre o futuro.
Nesse momento, algumas atitudes fazem a diferença
Observe os sinais sem culpa
Muitos pais tentam encontrar explicações para a regressão, mas é importante lembrar que o autismo não acontece por falta de cuidado, afeto ou atenção.
Perceber os sinais e buscar ajuda já é um passo muito importante.
Busque orientação especializada
Evite comparações com outras crianças ou informações sem base científica. O acompanhamento com profissionais qualificados ajuda a entender as necessidades da criança e definir estratégias adequadas.
Estimule a comunicação
Conversar, brincar, cantar e incentivar interações no dia a dia pode favorecer o desenvolvimento da comunicação e do vínculo familiar. O estimulo parental nesse momento, se faz muito necessário.
Respeite o tempo da criança
Cada criança dentro do espectro autista possui características, desafios e potencialidades diferentes. O desenvolvimento acontece de forma individual.
A importância do diagnóstico precoce
Quando os sinais de autismo regressivo são identificados precocemente, a criança pode receber intervenções que favorecem o desenvolvimento de habilidades importantes desde cedo.
Além disso, o suporte à família ajuda os pais a compreenderem melhor o comportamento da criança e criarem estratégias para a rotina diária.
Observar mudanças no desenvolvimento infantil não deve ser motivo para desespero, mas sim um sinal de atenção e cuidado.
Com acolhimento, informação de qualidade e acompanhamento especializado, é possível promover mais autonomia, comunicação e qualidade de vida para a criança e toda a família.
Núcleo de Autismo no Espaço CEL
No Espaço CEL, contamos com um núcleo exclusivo voltado ao cuidado de crianças e adolescentes com TEA.
O acompanhamento é realizado por uma equipe interdisciplinar especializada, preparada para desenvolver estratégias individualizadas de acordo com as necessidades, potencialidades e fase do desenvolvimento de cada criança.
O núcleo oferece diferentes abordagens terapêuticas, incluindo o Modelo Denver de Intervenção Precoce e a ciência ABA.
Além do cuidado com as crianças e adolescentes, o Espaço CEL também valoriza o acolhimento e a orientação às famílias, promovendo um acompanhamento próximo e humanizado ao longo de toda a jornada.
Com uma estrutura especializada e um olhar baseado em ciência e inclusão, o Espaço CEL busca contribuir para o desenvolvimento integral de cada paciente, respeitando sua individualidade e estimulando seu potencial.


