Por Folha Jornal

Chegar aos 75 anos já é motivo de celebração. Para Wilson Roberto Scomparim, idoso com síndrome de Down, a data ganhou um significado ainda maior. Cercado pela família e amigos, ele comemorou sua trajetória marcada pela alegria, independência e resiliência.

A história de Wilson também chama a atenção por um dado importante. No passado, pessoas com síndrome de Down tinham expectativa de vida de aproximadamente nove anos. Com os avanços da medicina, do acompanhamento multidisciplinar e da inclusão social, essa realidade mudou drasticamente. Hoje, a expectativa de vida ultrapassa os 60 anos, e cada vez mais pessoas com a condição chegam aos 70 anos ou mais.

Wilson nasceu em 16 de maio de 1951 e pertence a uma geração em que pessoas com síndrome de Down tinham poucas oportunidades de inclusão e uma expectativa de vida muito inferior à atual. Na década de 1950, a expectativa de vida era de cerca de 10 anos. Graças aos avanços da medicina, do acompanhamento especializado e da inclusão social, hoje muitas pessoas com a síndrome vivem mais de 60 anos, e algumas, como Wilson, chegam aos 70 e 80 anos.

De acordo com a família, Wilson sempre foi uma pessoa extremamente independente. Durante muitos anos, realizou sozinho suas atividades diárias, como arrumar a cama, vestir-se, alimentar-se e manter uma rotina organizada, seguindo horários rigorosos para cada tarefa. Além disso, era conhecido pela inteligência, curiosidade e gosto por jogos de quebra-cabeça, características que sempre chamaram a atenção de quem convivia com ele.

Nos últimos anos, em razão do envelhecimento, passou a precisar de cuidados permanentes e atualmente vive em uma instituição de longa permanência, onde recebe assistência 24 horas. A mudança, no entanto, não diminuiu sua alegria nem o vínculo com a família, que faz questão de acompanhá-lo de perto.

Para os familiares, Wilson representa uma verdadeira lição de vida. Eles afirmam que aprenderam com ele valores como resiliência, amor, simplicidade e perseverança. Ao longo da vida, ele enfrentou perdas familiares e diversas mudanças, sempre demonstrando capacidade de adaptação e uma alegria contagiante.

A família também destaca que conviver com Wilson foi uma forma de compreender a importância da inclusão. Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, eles relatam que ainda presenciaram situações de preconceito em locais públicos, experiências que reforçaram a necessidade de conscientização da sociedade sobre o respeito às pessoas com deficiência.

“Meu tio é uma escola de resiliência”, resume Francisco Rico, sobrinho de Wilson. “Ele nos ensinou que as limitações nunca definem uma pessoa. O que define alguém é sua capacidade de amar, de transmitir alegria e de inspirar quem está à sua volta.”