Marina Lima Barreto

Gestora Clínica Denver

O uso excessivo de telas pode impactar diretamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes com autismo. Entenda os riscos e saiba como encontrar o equilíbrio.

Nos últimos anos, o uso de dispositivos eletrônicos, como celulares, tablets, computadores e TVs, se tornou parte da rotina da maioria das famílias. Mas quando falamos sobre crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é preciso redobrar a atenção. O tempo de exposição às telas pode influenciar o comportamento, o sono, as relações sociais e até o desenvolvimento global.

A seguir, vamos explorar os principais efeitos do uso excessivo de telas em crianças e adolescentes com TEA, além de apresentar orientações práticas para promover um uso mais consciente e equilibrado desses recursos.

Seu filho passa horas em frente às telas?

Essa é uma pergunta que muitos responsáveis se fazem, especialmente em contextos em que o uso de telas acaba sendo uma alternativa conveniente para manter a criança entretida ou “quieta”. No entanto, o que muitas vezes começa como um hábito pontual pode se transformar em um padrão de uso excessivo, com consequências importantes, e nem sempre visíveis de imediato.

Para crianças e adolescentes com autismo, esse hábito pode ter impactos comprometedores para o futuro.

Como o uso excessivo de telas afeta quem está no espectro?

Embora a tecnologia possa oferecer recursos educativos e acessibilidade a conteúdos importantes, o tempo prolongado diante das telas, sem mediação ou equilíbrio, pode prejudicar o desenvolvimento de várias habilidades essenciais.

Confira os principais efeitos do uso excessivo de telas:

Redução das interações sociais

O tempo gasto com dispositivos digitais é, muitas vezes, um tempo que deixa de ser dedicado a interações sociais reais e significativas. Para crianças com TEA, que já podem apresentar desafios na comunicação e na socialização, essa redução no contato interpessoal pode prejudicar ainda mais o desenvolvimento dessas competências.

Intensificação de comportamentos repetitivos

A exposição constante a vídeos, jogos ou aplicativos com estímulos visuais e auditivos intensos pode favorecer padrões repetitivos de comportamento, como assistir sempre aos mesmos vídeos ou repetir frases dos personagens, reforçando rotinas rígidas e limitando a flexibilidade cognitiva.

Dificuldade de atenção e regulação emocional

O consumo passivo e constante de conteúdos digitais pode comprometer a atenção e dificultar o engajamento em outras atividades, como brincadeiras, terapias ou interações com familiares. Além disso, crianças com TEA podem apresentar crises de irritabilidade quando o acesso às telas é interrompido, o que pode indicar uma dependência preocupante.

Alterações no sono

A luz azul emitida por telas inibe a produção de melatonina, hormônio essencial para o sono. Em crianças com TEA, que já podem apresentar dificuldades para dormir ou manter uma rotina de sono regular, esse fator pode agravar o quadro, afetando diretamente o bem-estar e o comportamento no dia seguinte.

Entender para agir: a importância do equilíbrio

Não se trata de banir a tecnologia ou proibir o uso de telas, mas de entender que o equilíbrio é essencial. O uso consciente pode, sim, fazer parte da rotina, desde que haja limites bem definidos e acompanhamento por parte dos responsáveis.

Aqui estão algumas orientações práticas para promover esse equilíbrio:

Estabeleça horários e regras claras

Defina momentos do dia para o uso de telas e certifique-se de que a criança tenha acesso a outras atividades estimulantes, como brincadeiras sensoriais, leitura, jogos interativos, terapias ou interações ao ar livre.

Priorize conteúdos de qualidade

Escolha vídeos, jogos ou aplicativos que estejam alinhados ao estágio de desenvolvimento da criança, evitando conteúdos muito acelerados, barulhentos ou sem propósito educativo. Dê preferência a opções que estimulem a interação, a linguagem e a criatividade.

Incentive o movimento e o brincar

Crianças com autismo se beneficiam muito de atividades que envolvam o corpo, a exploração do ambiente e o contato com outras pessoas. Reserve tempo para brincadeiras que incentivem a coordenação motora, a imaginação e as habilidades sociais.

Crie rotinas previsíveis

Ter uma rotina estruturada ajuda a criança a entender o que esperar ao longo do dia, reduz a ansiedade e melhora a adaptação a mudanças, como a transição entre o tempo de tela e outras atividades. Use recursos visuais se necessário para facilitar essa compreensão.

Seja um modelo

O exemplo dos adultos faz toda a diferença. Quando os responsáveis também demonstram autocontrole no uso de telas, fica mais fácil para a criança seguir as orientações. Que tal aproveitar o momento para desconectar em família e fortalecer os vínculos?

Quando buscar apoio profissional?

Se você percebe que o uso das telas está interferindo no sono, no comportamento, no desenvolvimento ou nas interações sociais do seu filho, é importante buscar a orientação de um profissional, como psicólogo ou terapeuta ocupacional, especializado em TEA.

Esses profissionais podem ajudar a identificar padrões, orientar ajustes na rotina e, quando necessário, propor intervenções específicas para promover o desenvolvimento integral da criança.

Telas em excesso exigem atenção

O mundo digital faz parte da nossa realidade, e isso é inegável. Mas, no caso de crianças e adolescentes, é essencial olhar com cuidado para o tempo que eles passam diante das telas, e, mais ainda, para o que estão deixando de viver enquanto isso acontece.

Equilíbrio é tudo. Com atenção, presença e escolhas conscientes, é possível transformar o tempo de tela em uma ferramenta positiva, sem que ela substitua o mais importante: o vínculo, a troca e a experiência real com o mundo.

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