

Maria Clara Piranda
Diretora do Núcleo de Desenvolvimento Neuropsicomotor
Observar o desenvolvimento de um filho é um processo cheio de descobertas, mas também de dúvidas.
Cada fase traz novos marcos, movimentos e habilidades. E, em meio a esse crescimento, alguns sinais podem gerar preocupação: um jeito diferente de andar, queixas frequentes de dor ou até dificuldades em acompanhar outras crianças em atividades físicas.
Essas manifestações podem estar relacionadas às chamadas alterações ortopédicas, condições que afetam ossos, músculos e articulações, impactando a postura, a mobilidade e o desenvolvimento motor da criança.
A seguir, você vai entender de forma clara quais são os principais sinais de alerta, o que pode estar por trás dessas alterações e como agir com segurança para apoiar o desenvolvimento do seu filho.

O que são alterações ortopédicas?
Alterações ortopédicas são mudanças no funcionamento ou na estrutura do sistema musculoesquelético. Elas podem afetar a forma como a criança anda, corre, se senta ou realiza movimentos do dia a dia.
Essas alterações podem ser
Congênitas (presentes desde o nascimento)
Desenvolvimentais (surgem ao longo do crescimento)
Adquiridas (decorrentes de hábitos, lesões ou outras condições)
Nem toda alteração representa um problema grave. Em muitos casos, faz parte do desenvolvimento esperado. No entanto, alguns sinais exigem atenção e acompanhamento especializado.
Principais sinais de alterações ortopédicas em crianças
Identificar precocemente faz toda a diferença. Por isso, observar o comportamento motor da criança no dia a dia é essencial.
Fique atento a sinais como
Andar na ponta dos pés com frequência
Quedas constantes ou dificuldade de equilíbrio
Dor nas pernas, joelhos ou pés (principalmente recorrente)
Dificuldade para correr, pular ou subir escadas
Postura desalinhada ao sentar ou caminhar
Um lado do corpo aparentemente mais forte ou mais utilizado
Resistência ou desconforto ao realizar atividades físicas
Esses sinais não devem ser analisados de forma isolada. O mais importante é observar a frequência, a intensidade e se há impacto na rotina da criança.
Quais são as causas mais comuns?
As alterações ortopédicas podem ter diferentes origens, e compreender essas causas ajuda a direcionar o cuidado de forma mais assertiva.
Entre as mais comuns, estão:
Fatores do desenvolvimento
Durante o crescimento, o corpo da criança passa por ajustes naturais. Algumas alterações, como o pé plano (pé chato), podem ser comuns em determinadas idades e se corrigirem espontaneamente.
Hábitos posturais
Posturas inadequadas ao sentar, carregar peso excessivo (como mochilas) ou passar muito tempo em telas podem influenciar o alinhamento corporal.
Alterações neurológicas ou do desenvolvimento
Condições que impactam o tônus muscular, a coordenação ou o controle motor podem estar associadas a alterações ortopédicas.
Fatores genéticos
Algumas condições ortopédicas têm predisposição familiar.
Sedentarismo ou baixa atividade física
A falta de movimento pode comprometer o fortalecimento muscular e o desenvolvimento adequado das estruturas do corpo.
Quando buscar avaliação profissional?
Muitas famílias ficam em dúvida sobre o momento certo de procurar ajuda. De forma geral, é importante buscar avaliação quando:
Os sinais persistem ao longo do tempo
Há dor frequente ou limitação de movimento
A criança demonstra dificuldade em atividades compatíveis com a idade
Existe regressão em habilidades já adquiridas
Os responsáveis percebem assimetrias ou mudanças no padrão de movimento
A avaliação precoce permite identificar se há necessidade de intervenção ou apenas acompanhamento
Como é feito o diagnóstico?
O processo de avaliação costuma envolver:
Observação do padrão de movimento da criança
Análise da postura e alinhamento corporal
Histórico de desenvolvimento motor
Relato dos responsáveis sobre o dia a dia
Em alguns casos, podem ser solicitados exames complementares.
O olhar clínico especializado é fundamental para diferenciar o que faz parte do desenvolvimento típico e o que precisa de intervenção.
Tratamento: o que pode ser feito?
O tratamento das alterações ortopédicas depende da causa, da idade da criança e do impacto funcional.
Entre as possibilidades, estão:
Acompanhamento clínico (quando não há necessidade de intervenção imediata)
Fisioterapia para fortalecimento muscular e melhora do movimento
Orientações posturais para o dia a dia
Uso de órteses, quando indicado
Estimulação motora por meio de atividades direcionadas
Em casos mais complexos, intervenção cirúrgica
Existem vários métodos terapêuticos que podem auxiliar no alinhamento corporal, na estabilidade e no ganho de função motora
O mais importante é que o plano de cuidado seja individualizado, respeitando as necessidades de cada criança.
O papel da família no desenvolvimento motor
A participação da família é essencial em todo o processo. Pequenas atitudes no dia a dia podem contribuir muito:
Incentivar brincadeiras ativas
Reduzir o tempo excessivo em telas
Estimular diferentes tipos de movimento (correr, pular, escalar)
Observar e respeitar os limites da criança
Seguir as orientações dos profissionais
Alterações ortopédicas podem ser prevenidas?
Nem todas podem ser evitadas, especialmente aquelas de origem genética ou congênita. No entanto, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos:
Estimular um estilo de vida ativo
Garantir um ambiente seguro para exploração motora
Observar a postura da criança
Realizar acompanhamentos regulares com profissionais
Um olhar atento faz toda a diferença
Cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento. Comparações nem sempre ajudam. O mais importante é observar o progresso individual e os sinais que o corpo apresenta.
Quando existe atenção, orientação adequada e acompanhamento profissional, é possível apoiar o desenvolvimento motor com mais segurança, promovendo autonomia, conforto e qualidade de vida.
Núcleo de Desenvolvimento Neuropsicomotor
No Núcleo de Desenvolvimento Neuropsicomotor do Espaço CEL, cuidamos de bebês, crianças e adolescentes com alterações ortopédicas.
Nosso olhar é direcionado para o desenvolvimento global, considerando não apenas os aspectos físicos, mas também a funcionalidade e a autonomia da criança em sua rotina.
Cada atendimento é planejado de forma individualizada, respeitando as necessidades, o momento de desenvolvimento e as potencialidades de cada paciente.
A atuação envolve estratégias terapêuticas baseadas em evidências, que podem incluir fisioterapia, estimulação motora e recursos específicos, como o TheraSuit, quando indicado, sempre com foco na melhora do alinhamento corporal, da coordenação e da qualidade do movimento.
O acompanhamento contínuo permite avaliar a evolução de forma cuidadosa e ajustar as condutas sempre que necessário, garantindo um cuidado seguro, consistente e centrado na criança.
Se você percebeu algum dos sinais ao longo deste conteúdo ou ficou com dúvidas sobre o desenvolvimento do seu filho, buscar orientação especializada pode trazer mais clareza e tranquilidade para esse momento. Nossa equipe está preparada para acolher e orientar você nesse processo.


