Larissa Simões

Coordenadora do Projeto Interdisciplinar do Núcleo de Autismo

Você já reparou que seu filho anda na ponta dos pés com muita frequência?

Já se perguntou se isso é apenas uma fase ou se pode ser um sinal de algo mais?

Se essa dúvida está na sua cabeça, saiba que você não está sozinho.

A seguir, você vai entender quando andar na ponta dos pés é algo esperado para a idade, quando merece atenção e qual é a relação entre esse comportamento e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

É comum andar na ponta dos pés?

Andar na ponta dos pés é um comportamento bastante comum em crianças pequenas, especialmente naquelas que estão aprendendo a se locomover.

Nos primeiros meses em que seu filho começa a dar os primeiros passos, esse padrão de marcha é parte natural do processo de descoberta do próprio corpo.

Na maioria das crianças, esse padrão vai diminuindo conforme a marcha amadurece, geralmente entre os 2 e 3 anos de idade.

Portanto, se seu filho tem menos de 2 anos e anda na ponta dos pés eventualmente, há grandes chances de que seja apenas uma fase do desenvolvimento.

Quando começa a ser um sinal de alerta?

O comportamento passa a merecer uma atenção mais cuidadosa quando seu filho continua andando na ponta dos pés após os 2 ou 3 anos de idade e esse padrão aparece de forma persistente, não só de vez em quando, mas como a forma predominante de caminhar.

Outro ponto importante: observe se seu filho consegue apoiar a planta do pé no chão quando solicitado. Se ele consegue, mas não o faz por hábito, isso é diferente de uma situação em que o apoio completo do pé gera desconforto ou resistência.

Quando a marcha na ponta dos pés não tem uma causa médica identificável, como encurtamento do tendão de Aquiles, paralisia cerebral ou distrofia muscular, ela recebe o nome de marcha idiopática na ponta dos pés, ou seja, sem causa aparente.

Em alguns casos, porém, ela pode estar associada a condições do neurodesenvolvimento, como o autismo.

Relação entre andar na ponta dos pés e autismo

No autismo, esse comportamento costuma estar relacionado a diferenças no processamento sensorial. Em muitas crianças no espectro, diferenças no processamento sensorial fazem com que determinadas sensações sejam percebidas de forma mais intensa. Em alguns casos, apoiar toda a planta do pé no chão pode ser desconfortável, levando a criança a preferir caminhar na ponta dos pés.

Além disso, alterações no sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio e pela orientação espacial, também podem influenciar a marcha. E há ainda o componente dos comportamentos repetitivos: crianças com TEA tendem a manter padrões motores que aprenderam, mesmo quando poderiam mudá-los.

É fundamental dizer com clareza: andar na ponta dos pés não é, por si só, um diagnóstico de autismo. Mas quando esse comportamento persiste após a idade esperada e aparece junto com outros sinais, ele pode ser uma pista relevante.

O mais importante não é a presença isolada de um comportamento, mas a combinação de diferentes sinais ao longo do desenvolvimento.

Outros sinais para observar

Se o seu filho anda na ponta dos pés com frequência, vale observar se há outros comportamentos presentes no dia a dia.

Não para fazer diagnósticos em casa, isso nunca é indicado, mas para ter um panorama mais completo na hora de conversar com um especialista.

Alguns sinais que, combinados à marcha na ponta dos pés, podem justificar uma avaliação:

Lembre-se: nenhum desses sinais, isoladamente, define um diagnóstico. O que importa é o conjunto e a frequência com que aparecem.

O que fazer se você está preocupado?

Se você leu até aqui e reconheceu seu filho em algum dos pontos acima, o próximo passo é buscar uma avaliação neuropsicológica com um profissional especializado.

Essa avaliação é o caminho mais seguro para entender o que está acontecendo com o desenvolvimento do seu filho.

Por meio de testes e observações estruturadas, o neuropsicólogo consegue mapear as habilidades cognitivas, comportamentais e sociais da criança e, se houver indicativos de autismo ou outra condição do neurodesenvolvimento, orientar a família com clareza sobre os próximos passos.

Quanto antes a avaliação acontece, melhor. Não porque o diagnóstico precoce mude quem seu filho é, mas porque ele abre as portas para intervenções e suportes que fazem uma diferença significativa na qualidade de vida e no desenvolvimento da criança.

Avaliação Neuropsicológica no Espaço CEL

No Espaço CEL, a avaliação neuropsicológica é conduzida por uma equipe especializada, com instrumentos científicos reconhecidos e um olhar atento ao desenvolvimento de cada criança.

Durante o processo, o neuropsicólogo observa e avalia diferentes habilidades, como atenção, memória, linguagem e comportamento social, para traçar um panorama completo do desenvolvimento do seu filho.

Se houver indicativos de autismo ou outra condição do neurodesenvolvimento, a família recebe orientações claras sobre os próximos passos.

Se você tem dúvidas sobre o desenvolvimento do seu filho, estamos aqui para ajudar. Entre em contato e agende uma avaliação.

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