Jesiane Abreu

Coordenadora Psicopedagógica ABA

A volta às aulas é sempre um período de grandes expectativas para as famílias, mas também pode ser um momento desafiador para crianças e adolescentes com TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Mais do que comprar materiais novos ou preparar o uniforme, essa etapa exige escuta, preparo e uma rede de apoio verdadeiramente conectada.

Com planejamento e acolhimento, é possível transformar esse recomeço em uma experiência mais segura, leve e positiva.

Reunimos 7 dicas práticas para famílias e escolas que desejam garantir um retorno mais tranquilo e efetivo para os aprendizes.

1. Volta às aulas: o que considerar?

Cada criança é única. Isso significa que os desafios enfrentados nesse período podem variar bastante: desde a dificuldade com mudanças de rotina até sensibilidade sensorial a sons, luzes ou aglomerações. Por isso, o primeiro passo para um retorno mais tranquilo é compreender quem é esse estudante, o que ele precisa, e como podemos ajudar.

E esse apoio não pode ser feito de forma isolada. Envolve a família, os professores, os terapeutas, os coordenadores pedagógicos e demais profissionais da equipe.

2. Reuniões com a família: comece por quem conhece melhor a criança

Antes mesmo do primeiro dia de aula, promover uma conversa com os responsáveis é essencial. Nessas reuniões, é possível entender os avanços e as dificuldades da criança, alinhar expectativas e atualizar a escola sobre qualquer mudança importante no comportamento, rotina ou desenvolvimento.

Essa troca também fortalece a parceria entre escola e família, o que é fundamental ao longo do ano letivo.

Dica prática: prepare um formulário simples com perguntas sobre o aluno para facilitar esse momento. Informações sobre rotina de sono, alimentação, questões sensoriais e formas de comunicação podem fazer toda a diferença.

3. Alinhe estratégias com toda a equipe

A volta às aulas exige um time preparado e alinhado. É importante que todos os envolvidos no processo educacional, professores, cuidadores, monitores e terapeutas, conheçam as estratégias combinadas com a família e atuem de forma integrada.

O ideal é realizar encontros com a equipe pedagógica e terapêutica para planejar juntos o retorno. Assim, evitamos abordagens desconectadas e promovemos um ambiente mais coeso para o aluno.

Lembre-se: crianças neurodivergentes se beneficiam de previsibilidade, estabilidade e consistência. O trabalho em equipe fortalece todos esses pontos.

4. Adaptações no ambiente escolar

Para muitas crianças, o ambiente escolar pode ser superestimulante. Salas muito barulhentas, iluminação intensa ou mudanças repentinas de espaço podem gerar desconforto e desregulação.

Por isso, vale observar e, se necessário, adaptar:

  • Reduzir ruídos excessivos

  • Utilizar luzes indiretas ou menos intensas

  • Oferecer fones abafadores ou brinquedos sensoriais

  • Criar cantinhos de autorregulação com almofadas, livros e materiais táteis

Essas pequenas mudanças contribuem para o bem-estar da criança e ajudam a construir um espaço mais inclusivo e seguro.

5. Materiais visuais: um recurso valioso

Crianças com autismo costumam se beneficiar muito de recursos visuais para compreender regras, antecipar atividades e organizar sua rotina.

Pictogramas, quadros de rotina ilustrados, cartazes com orientações passo a passo e histórias sociais são ferramentas simples, mas extremamente eficazes.

Exemplo prático: ao usar um quadro de rotina com imagens (chegada, lanche, atividades, hora de ir para casa), a criança se sente mais segura e preparada para o que está por vir.

6. Rotina estruturada e avisos prévios

A previsibilidade é uma grande aliada de crianças com TEA. Manter uma rotina bem definida e comunicar com antecedência qualquer mudança é uma forma de oferecer segurança emocional.

Evite mudanças bruscas e, quando forem inevitáveis, use recursos visuais ou conversas antecipadas para preparar a criança. Mudanças de sala, troca de professores ou alterações no horário devem ser explicadas com cuidado e empatia.

Dica: utilize agendas ou cadernos de comunicação para reforçar a parceria com a família nesses momentos.

7. Acolhimento emocional: o mais importante

Para além das estratégias e adaptações, o que mais transforma a volta às aulas é o acolhimento. Receber o aprendiz com empatia, respeitá-lo como único, reforçar vínculos e incentivar sua autonomia são atitudes que impactam diretamente no bem-estar e no aprendizado.

Esteja atento aos sinais de desregulação emocional. Choro frequente, isolamento, agitação ou recusa em participar de atividades podem indicar que algo não vai bem. Nessas situações, saber se comunicar com a criança é fundamental, transmite segurança e ajudam a construir um ambiente de confiança.

A volta às aulas de aprendizes com TEA não precisa ser um momento de tensão. Com diálogo, planejamento e sensibilidade, é possível construir experiências escolares mais positivas e verdadeiramente inclusivas.

Família e escola não são lados opostos: são partes da mesma rede de cuidado. E quando essa rede está alinhada, quem ganha é a criança.

Entre em contato agora com a gente!