

Larissa Simões
Gestora Clínica do Projeto de Intervenção Precoce e do Projeto Interdisciplinar
Você já percebeu que seu filho gosta de encostar várias vezes no mesmo objeto, passar a mão repetidamente em determinadas superfícies ou tocar sempre nos mesmos itens da casa?
Embora esse comportamento possa estar presente em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele, por si só, não é suficiente para indicar um diagnóstico. O mais importante é observar o contexto, a frequência e se existem outros sinais associados.
Leia até o final e descubra por que algumas crianças repetem esse tipo de ação, quando ela pode estar relacionada ao autismo e em quais situações vale a pena procurar uma avaliação especializada.
Por que algumas crianças encostam repetidamente em objetos?
Durante o desenvolvimento infantil, é comum que as crianças explorem o ambiente utilizando todos os sentidos. Elas tocam, apertam, balançam, cheiram e observam diferentes objetos como parte da exploração e aprendizagem sobre o ambiente.
No entanto, quando tocar ou encostar repetidamente em objetos acontece de forma muito frequente onde, torna-se difícil de interromper ou interfere em outras atividades, pode ser importante observar em quais situações ocorre e qual função parece exercer.
Em alguns casos, ele pode estar relacionado à busca por estímulos sensoriais, à autorregulação emocional ou fazer parte de um padrão de comportamentos repetitivos.
O que esse comportamento tem a ver com o autismo?
No TEA, podem estar presentes padrões repetitivos de comportamento, como repetir movimentos, ações ou formas de explorar objetos. Em algumas crianças, essas repetições podem estar relacionadas à busca por determinadas sensações, ao prazer na atividade ou a formas particulares de interagir com o ambiente.
Isso significa que algumas crianças com TEA podem repetir movimentos, ações ou interações com objetos porque essas atividades proporcionam previsibilidade, organização ou ajudam a regular as sensações que experimentam.
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Por exemplo, a criança pode:
- Tocar repetidamente na mesma parede
- Passar a mão diversas vezes em tecidos ou superfícies específicas
- Alinhar objetos antes de tocá-los
- Encostar em móveis sempre que passa por eles
- Demonstrar grande interesse por determinadas texturas
Cada criança é única. Enquanto algumas procuram determinadas sensações táteis, outras podem buscar estímulos visuais, auditivos ou de movimento.
Encostar em objetos repetidamente significa que meu filho tem autismo?
Esse comportamento também pode acontecer em crianças com desenvolvimento típico ou estar relacionado a outras condições do neurodesenvolvimento.
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O que faz diferença é observar se ele aparece junto com outros sinais característicos do TEA, como:
- Dificuldade para manter contato visual
- Pouca resposta quando chamado pelo nome
- Atraso ou diferenças no desenvolvimento da comunicação
- Dificuldades na interação social
- Brincadeiras repetitivas ou pouco variadas
- Dificuldade importante diante de mudanças e necessidade de previsibilidade ou manutenção de determinadas rotinas
- Interesses muito específicos
Outras formas de comportamentos repetitivos, como balançar o corpo, girar objetos ou movimentar as mãos repetidamente
Quanto maior o conjunto de sinais observados, maior a importância de buscar uma avaliação profissional.
O comportamento pode estar relacionado à sensibilidade sensorial?
Diferenças na resposta a estímulos sensoriais também podem estar presentes no TEA. Algumas crianças podem buscar intensamente determinadas sensações, enquanto outras podem apresentar maior sensibilidade a certos estímulos.
Algumas crianças procuram determinadas sensações porque elas são agradáveis ou ajudam a organizar o corpo. Outras evitam certos estímulos porque os consideram desconfortáveis.
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Quando uma criança toca repetidamente um objeto, ela pode estar buscando uma sensação específica, como:
- Uma textura macia ou áspera
- Uma temperatura agradável
- Uma vibração
- Uma superfície lisa
- Uma sensação de pressão nas mãos
Por isso, compreender a função desse comportamento é muito mais importante do que tentar simplesmente interrompê-lo.
Quando é hora de buscar uma avaliação?
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Vale a pena procurar uma equipe especializada quando esse comportamento:
- Acontece com muita frequência
- Interfere nas brincadeiras ou na rotina
- Causa sofrimento quando é interrompido
- Vem acompanhado de dificuldades na comunicação ou interação social
- Está associado a outros sinais do autismo
Quanto mais cedo uma criança é avaliada, maiores são as oportunidades de compreender suas necessidades e iniciar intervenções, quando necessário.
É importante lembrar que apenas profissionais capacitados podem realizar uma avaliação completa e identificar se os comportamentos observados fazem parte do desenvolvimento esperado ou estão relacionados ao TEA ou a outra condição.
O acompanhamento faz toda a diferença
Quando uma criança apresenta sinais que levantam dúvidas sobre o desenvolvimento, contar com uma equipe interdisciplinar permite compreender o comportamento de forma ampla.
Profissionais como psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e psicopedagogo podem investigar as causas dos comportamentos observados, avaliar o desenvolvimento da criança e orientar a família sobre os próximos passos.
O objetivo da avaliação é entender as necessidades da criança e oferecer estratégias que favoreçam seu desenvolvimento, respeitando suas características individuais.
Avaliação Neuropsicológica no Espaço CEL
Quando há dúvidas sobre o desenvolvimento infantil ou a presença de sinais que podem estar relacionados ao autismo, a avaliação neuropsicológica é uma importante aliada para compreender o perfil da criança de forma aprofundada.
No Espaço CEL, esse processo é realizado por profissionais especializados e investiga diferentes aspectos do desenvolvimento, como atenção, memória, linguagem, funções executivas, habilidades cognitivas, comportamento e interação social. A avaliação permite identificar potencialidades, compreender desafios e fornecer informações que auxiliam no diagnóstico e no planejamento das intervenções mais adequadas.
Além de contribuir para a investigação do autismo, a avaliação neuropsicológica também pode ajudar a diferenciar outras condições do neurodesenvolvimento que apresentam características semelhantes, garantindo um direcionamento mais preciso para a criança e sua família.
Se você percebe comportamentos que despertam dúvidas, como encostar repetidamente em objetos, ou observa outros sinais que podem indicar alterações no desenvolvimento, buscar uma avaliação especializada é um passo importante para compreender as necessidades do seu filho e oferecer o suporte mais adequado o quanto antes.


